# O que as pessoas estão realmente perguntando para as IAs hoje | Vanessa Caldas

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# O que as pessoas estão realmente perguntando para as IAs hoje

Publicado em 9 de setembro de 2026 8 min de leitura Escrito por [Vanessa Caldas](/autor/vanessa-caldas)

Neste artigo

### As dúvidas mais frequentes já tratam de trabalho, tempo, dinheiro e escolha. Para as empresas, elas revelam onde uma parte da descoberta de marcas está acontecendo.

**Por Vanessa Caldas, cofundadora da Naia**

Nos últimos dias, fui procurar o que as pessoas estão perguntando sobre inteligência artificial.

Eu esperava encontrar muita curiosidade sobre tecnologia, modelos e novidades. Esses assuntos continuam presentes, mas as perguntas que mais me interessaram eram bem concretas: qual ferramenta resolve melhor uma tarefa, como ganhar tempo, como organizar a vida, como aumentar a renda e como escolher entre diferentes produtos ou serviços.

As perguntas são um bom registro de comportamento. Elas mostram o momento em que uma tecnologia começa a ocupar um lugar real na rotina, muitas vezes antes que os indicadores tradicionais consigam medir essa mudança.

Hoje, as dúvidas se concentram em quatro grandes frentes:

| O que as pessoas perguntam | O comportamento por trás da pergunta |
| --- | --- |
| Qual IA devo usar? | As pessoas já comparam ferramentas de acordo com a tarefa |
| Como a IA pode me ajudar? | O interesse está ligado a tempo, trabalho, dinheiro e carga mental |
| Que produto ou serviço devo escolher? | Parte da pesquisa e da comparação está sendo entregue à IA |
| Minha marca aparece nas respostas? | Empresas perceberam que a descoberta também acontece nesses ambientes |

Essas perguntas contam uma história muito maior do que a adoção de uma nova ferramenta.

## A escolha da IA já faz parte do trabalho

“Qual é melhor: ChatGPT, Gemini ou Claude?” tornou-se uma pergunta recorrente porque as pessoas começaram a perceber diferenças de uso.

Uma ferramenta pode funcionar melhor para pesquisa. Outra lida bem com documentos longos. Uma terceira se integra de forma mais conveniente ao e-mail, à agenda ou aos arquivos da empresa. Escrita, programação, análise de dados, imagem e automação também produzem preferências diferentes.

O crescimento do mercado acompanha essa especialização. Segundo o [relatório de 2026 da Similarweb sobre inteligência artificial generativa](https://www.similarweb.com/corp/reports/2026-generative-ai-landscape/), essas plataformas receberam, em média, 9,5 bilhões de visitas mensais entre junho de 2025 e maio de 2026, um aumento de 70% em relação ao período anterior.

O ChatGPT continua liderando em volume, enquanto sua participação relativa diminuiu com o avanço dos concorrentes. Dados da própria [Similarweb sobre os sites mais visitados em maio de 2026](https://www.similarweb.com/blog/research/market-research/most-visited-websites/) mostram o Gemini crescendo de aproximadamente 9% para 27,3% do tráfego da categoria em um ano. O Claude avançou de 1,6% para 8,9%.

Essa fragmentação indica que as pessoas estão formando repertório. Elas testam, comparam e distribuem tarefas entre ferramentas diferentes. A escolha da IA começa a se parecer com a escolha de qualquer outro instrumento de trabalho: depende do problema, do contexto e do resultado esperado.

## As pessoas querem recuperar tempo para viver

Um estudo da Anthropic ajuda a entender o que existe por trás da busca por produtividade.

A empresa usou uma ferramenta de entrevistas baseada em IA para conversar com 80.508 usuários do Claude, em 159 países e 70 idiomas. A amostra não representa toda a população mundial, já que foi formada por pessoas que já utilizavam a plataforma, mas oferece uma visão ampla sobre suas expectativas.

Quando perguntadas sobre o que gostariam que a IA fizesse por elas, as respostas se dividiram assim:

- **18,8%** queriam melhorar o desempenho profissional e entregar tarefas repetitivas à IA;
- **13,7%** buscavam apoio para desenvolvimento pessoal;
- **13,5%** queriam ajuda para organizar compromissos e reduzir a carga mental;
- **11,1%** desejavam terminar o trabalho no horário e recuperar tempo para família, amigos e descanso;
- **9,7%** esperavam gerar renda ou diminuir a pressão financeira.

A [pesquisa publicada pela Anthropic](https://www.anthropic.com/features/81k-interviews) coloca a eficiência profissional em primeiro lugar quando cada categoria é observada separadamente. Somadas, porém, as expectativas ligadas à organização da rotina, à liberdade de tempo e à independência financeira chegam a 34,3%.

A produtividade aparece como meio para recuperar alguma coisa: tempo, tranquilidade, autonomia ou dinheiro.

Esse detalhe muda a forma de criar produtos e comunicar benefícios. Uma ferramenta que promete “produzir cinco vezes mais” pode soar distante de quem está tentando terminar o expediente no horário, tocar um pequeno negócio com uma equipe enxuta ou organizar uma rotina que já ultrapassou o limite.

As pessoas não estão pedindo eficiência em abstrato. Elas querem aliviar uma pressão concreta.

## A IA também está recebendo perguntas de compra

Outra parte das conversas envolve pesquisa, comparação e recomendação.

Qual notebook vale mais a pena? Que software atende uma empresa pequena? Qual banco oferece a melhor solução para determinado perfil? Que destino cabe no orçamento? Qual produto possui menos reclamações?

Essas perguntas entregam à IA uma parte importante da descoberta. O sistema pode consultar fontes, comparar atributos e apresentar uma seleção antes que a pessoa visite qualquer site.

Isso fica especialmente evidente em compras que exigem pesquisa. Automóveis, eletrônicos, serviços financeiros, viagens, software e eletrodomésticos envolvem muitas variáveis. Uma IA consegue organizar especificações, preços, avaliações, riscos e diferenças em uma única conversa.

A resposta pode influenciar quais marcas chegam à próxima etapa. Algumas entram na comparação. Outras ficam ausentes sem receber impressão, visita ou clique.

É por isso que profissionais de marketing e donos de negócios começaram a fazer suas próprias perguntas:

- Minha marca aparece no ChatGPT?
- Como ela é descrita no Gemini?
- Quais concorrentes são recomendados?
- Que fontes sustentam essas respostas?
- A informação apresentada está correta?
- Como medir presença e participação nas recomendações?

No [levantamento de 2026 da AgencyAnalytics](https://agencyanalytics.com/blog/agency-benchmarks-2026-ai-search), realizado com 494 profissionais de agências, a visibilidade em mecanismos de IA chegou ao topo dos novos serviços pedidos pelos clientes. Segundo a empresa, 66% dos participantes apontaram essa demanda como a principal novidade nas solicitações recebidas.

Esse interesse apareceu rapidamente porque as empresas começaram a encontrar concorrentes em respostas que antes nem faziam parte dos relatórios de marketing.

## O Google também está mudando a forma de pesquisar

Essa transformação acontece dentro do próprio Google.

Segundo dados da Similarweb publicados pela [TechCrunch](https://techcrunch.com/2026/07/27/googles-ai-search-is-rapidly-becoming-the-default-new-data-shows/), os AI Overviews passaram de 15% para 43% das buscas nos Estados Unidos em um ano. As visitas ao AI Mode aumentaram de 126 milhões, em junho de 2025, para 279 milhões em maio de 2026.

A consulta também está ficando mais longa e conversacional. O usuário descreve uma situação, acrescenta restrições e continua pesquisando dentro da própria resposta.

Esse formato reduz a necessidade de abrir vários resultados. A [Ahrefs, citando dados da SparkToro](https://ahrefs.com/blog/marketing-trends/), estima que 68% das buscas no Google já terminem sem clique, ante 45% em 2016. A mesma análise encontrou uma redução média de 58% nos cliques do primeiro resultado orgânico quando um AI Overview aparece.

O Google ainda envia muito mais tráfego para sites do que os assistentes de IA. A própria Ahrefs calcula que a diferença seja próxima de 190 vezes em relação ao ChatGPT. Portanto, abandonar SEO ou tratar a busca tradicional como irrelevante seria uma leitura precipitada.

O sinal importante está na separação entre visibilidade e visita. Uma marca pode influenciar uma resposta sem receber o clique que antes tornava essa influência mensurável.

## O tráfego vindo das IAs cresce a partir de uma base menor

As plataformas de IA ainda representam uma parcela pequena do tráfego total para a maioria dos sites. Mesmo assim, as referências estão crescendo rapidamente em algumas categorias.

Dados da Similarweb, reportados pelo [The Next Web](https://thenextweb.com/news/similarweb-2026-generative-ai-landscape-ai-search-fragmentation), registraram aumento anual de:

- **312%** no tráfego de IA para marketplaces;
- **278%** para sites de notícias;
- **237%** para empresas de viagens.

Usuários também visitaram marcas recomendadas por IA de duas a quatro vezes mais do que concorrentes que não apareceram na resposta.

Esses crescimentos partem de volumes menores e precisam ser lidos com cuidado. Ainda assim, eles indicam que a recomendação pode produzir comportamento fora da plataforma. Parte das pessoas clica na fonte. Outra parte procura diretamente pelo nome mencionado, abre o aplicativo da empresa ou retoma a compra por outro canal.

A atribuição tradicional dificilmente conecta todos esses pontos.

## O que as perguntas exigem das marcas

As empresas costumam começar perguntando como “otimizar para IA”. Essa formulação coloca a técnica cedo demais na conversa.

O primeiro trabalho é entender quais perguntas importam para o cliente e como a marca participa das respostas.

Uma checklist inicial pode ajudar:

- ☐ **Mapear as dúvidas que antecedem a compra.** Conversas de vendas, atendimento, avaliações e buscas internas revelam o vocabulário real do cliente.

- ☐ **Testar essas perguntas em diferentes plataformas.** ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity podem apresentar marcas e fontes distintas.

- ☐ **Registrar presença e contexto.** A análise deve observar frequência, concorrentes, atributos associados, sentimento e posição na resposta.

- ☐ **Identificar as fontes utilizadas.** A empresa precisa saber quais sites, avaliações, reportagens, vídeos e documentos ajudam a formar a recomendação.

- ☐ **Corrigir informações ambíguas ou antigas.** Descrições, preços, disponibilidade, integrações e limitações precisam estar claros e atualizados.

- ☐ **Publicar conhecimento próprio.** Dados, metodologias, aprendizados de operação e respostas de especialistas oferecem informação que a IA ainda não encontra em textos genéricos.

- ☐ **Conectar visibilidade a comportamento.** Citação, busca pela marca, visita direta, lead e venda precisam ser analisados em conjunto.

- ☐ **Continuar investindo em SEO.** Busca tradicional e descoberta por IA convivem, influenciam-se e atendem momentos diferentes.

## As perguntas já mudaram

O que mais me chama atenção nesse conjunto de dados é a rapidez com que a conversa ficou prática.

As pessoas querem escolher melhor suas ferramentas, reduzir trabalho repetitivo, organizar a rotina, aliviar a pressão financeira e tomar decisões com menos esforço. As empresas querem entender se continuam presentes quando uma IA participa desse processo.

Na Naia, acompanhamos justamente essa camada: como as marcas aparecem, quais atributos recebem, quais fontes sustentam as respostas e em quais perguntas permanecem ausentes.

As perguntas feitas às IAs já funcionam como sinais de demanda. Elas mostram problemas, expectativas e critérios de escolha com uma franqueza que muitas pesquisas tradicionais não conseguem capturar.

Para o marketing, aprender a lê-las pode ser tão importante quanto acompanhar palavras-chave, tendências de tráfego ou conversas nas redes sociais. É ali que uma parte crescente das decisões começa a ser organizada.

---

### Sobre a autora

**Vanessa Caldas é cofundadora da Naia, plataforma de visibilidade e posicionamento de marcas em ambientes de inteligência artificial.**

## Referências

Referências usadas na apuração do texto.

1. [estudos de intenção de busca em inteligência artificial da Similarweb](https://www.similarweb.com/blog/marketing/geo/invest-in-ai-visibility/) ([https://www.similarweb.com/blog/marketing/geo/invest-in-ai-visibility/](https://www.similarweb.com/blog/marketing/geo/invest-in-ai-visibility/))
2. [análise sobre buscas zero-click da Similarweb](https://www.similarweb.com/blog/marketing/seo/zero-click-searches/) ([https://www.similarweb.com/blog/marketing/seo/zero-click-searches/](https://www.similarweb.com/blog/marketing/seo/zero-click-searches/))

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